Monday, October 31, 2005

No México, como os mexicanos (sem duplo sentido por favor!)

Esses dias por aqui são dias dos mortos. Desde quinta feira- acho- tem um dia pra cada tipo de mortos: afogados, atropelados, bebês, assassinados. E tem caveiras e altares coloridos por todos os lados. Na escolinha, Léo foi de preto e levou sua guitarra, voltou com uma máscara de caveira, me fazendo mil perguntas sobre o irmão. Trouxe uma cestinha com pão e uma mexerica, que é o que eles oferecem nos altares, entre outras coisas (por exemplo um tequilinha ou uma comida que o morto em questão gostasse, incensos). E disse pra todo mundo que a cestinha era pro irmão (hoje é o dia dos bebês). Me fez muitas perguntas no caminho, e foi onde eu tive que dizer que todo mundo morre um dia, e isso perturbou muito a cabecinha dele. Tentei explicar que se a gente não morresse um dia, o mundo ia ser muito chato, sempre com as mesmas pessoas, que ninguém ia poder nascer por que não ia ter lugar pra todo mundo, que a morte possibilita que a vida se renove. Pra tentar amenizar a descoberta, entramos na onda dos mexicanos e montamos juntos um altar pros nossos mortos. Colocamos a cempasuchil (uma flor laranja, parece um cravo, que coincidência), água, uma vela, um kinder ovo, frutas, chocolates, uma chupeta e um carrinho. Pros meus avós e meu tio, coloquei uma garrafa de vinho e o pão. Disse pra ele que essas coisas foram inventadas pra amenizar a trsiteza de não ter as pessoas queridas por perto, e que o irmão dele, que mora nas estrelas, ia ficar feliz por saber que a gente tinha feito isso, por que ia ver que a gente ainda gosta dele. Não sei se tudo isso condiz com o meu ceticismo, acho que não. Mas é tão difícil falar disso pra um carinha de três anos. Na minha cabeça sei que isso tudo é pros vivos, mas ainda não consigo explicar pra ele. Talvez assim surjam os rituais, pelas coisas que a gente não sabe explicar com palavras. Não sei de nada, só constato que ando mais tranquila, que esse dia não me faz mais chorar. E isso é bom, só pode ser bom.
(Na foto acima, o altar que a gente fez)

Saturday, October 29, 2005

Então...

Hoje de noite tava muito frio. Muito. Duas cobertas, Léo do meu lado. Dormi que nem um caracol, toda encolhida e quando esticava a perna sentia que o lençol estava muito frio e voltava pra minha posição caracol. Daí sonhei umas coisas loucas, sonhei que a Marina W vinha me visitar, fiquei eufórica, hahahaha! Não tenho a menor idéia de como ela seja, mas ela no sonho er totalmente diferente do que eu imagino... É que ontem eu me dei conta de que o blog dela me inspira, ela é muito boa e as fotos no blog são sempre lindas. Bom, muitos blogs me inspiram, muitos. Toda manhã leio um monte de blogs, depois vou desenhar e tem dias em que um post fica na minha cabeça e depois sai um desenho que não tem o que mexer. Digo, sai de uma vez, as linhas vao e eu olho e digo, chega, nem mais um traço, era isso que eu queria e nem sabia. Mas nem era isso o que eu ia falar. Resulta que acordei e pensei de ligar pra casa. E lembrei de uma coisa e danei a chorar. Mas era uma coisa que não devia me fazer chorar, não tinha por que, não era problema meu. Mas sabe quando uma coisa vai lá atrás e levanta todos os seus traumas antiguinhos? Aí me deu uma vontade de ligar pra minha terapeuta e falar tuuuudo. E eu acabei engolindo de volta por que ela está tão longe... Tomei um leite com chocolate tentando desencanar, liguei pra casa, voz um pouco chorosa. Gripe? Não, alergia. Tá muito frio aqui...

Como não copiar a Surya?

frase no MSN de um amigo

Ótima:

Cérebro é uma coisa maravilhosa. Todos deveriam ter um.

Perfeito!

Thursday, October 27, 2005

O homem da bunda perfeita

Então, eu to chegando à conclusão de que essa academia é excelente num sentido: to ficando com nervoso de perfeição. Tipo, tem um cara lá que tem uma bunda simplesmente perfeita, redondinha, grande, durinha, sei lá. Eu olho praquela bunda e ela é tão perfeita que me dá aversão. Ele faz uns exercícios que ninguém faz, tem o corpo todo bonito, não sei o quê, mas aquela bunda dele me dá aversão. Não sei, finalmente aquela bunda me diz: pega leve, perfeição é uma chatice.

(Que post grosseiro, ainda bem que marido não viu. Eu prometo que vou tentar adoçar isso aqui nos próximos, posts, viu?)
...I've been the upper side of down, been the inside of out, but we breathe...
Eu pareço neném, não posso ver nada vermelho que eu compro. Quero dizer assim, eu vejo algo vermelho no meio de coisas de outra cor e meu cérebro liga o piloto automático e tóim, mas uma roupa vermelha no guarda roupa. É, tô falando de roupa. Aí eu chego em casa e me dou conta: meu Deus, eu comprei outra roupa vermelha, ah não. A última foi uma calça de moletom que eu comprei pra ir pra academia, cortei a barra e depois me toquei que era vermelha. Quero dizer, não sou cega, claro que eu vi que era vermelha na hora em que eu peguei. Mas depois, em casa, aí é que eu fui pensar que simplesmente ignorei as calças azul marinhas que estavam junto. Daí, hoje tava bem frio e fui eu pra academia com a minha calça vermelha e o meu moletom vermelho, produto de outro delírio parecido incitado por essa cor hipnótica. Enfim, hoje eu saí parecndo uma maçã do amor ambulante.
Desmarquei o almoço com a tal, e o motivo não era de todo falso. E então quem vem falar comigo? A cuuuulpaaaaa...
:-S

Wednesday, October 26, 2005

me explicar, me desculpar, coisas corriqueiras

Talvez eu pareci a maior ogra do planeta com o post abaixo, mas deixa eu me explicar (geralmente é quando as pessoas confirmam a impressão anterior, hahahaha!!!).
Sabe, todo mundo tem defeitos (ooooooh, que descoberta!!!). Mas uma pessoa tem que ter algum atrativo, algo que cative os outros, algo que faça a pessoa valer a pena. Algo que cative um ou dois, alguém, alguenzinho que seja. Sei lá, tem quem cativa pelo senso de humor, ou pela simpatia, ou pela inteligência, ou pela beleza, ou por várias coisas. E essa moça, ela não tem na-da disso. Dá dó, juro, por que ela é muito sozinha. Mas ela não faz nada por mudar isso, ela não é mais amável, não sorri mais, não se interessa de verdade no que vc tá dizendo, ou mostrando. Fico tentada a chamar ela pra vir aqui pra ela não ser tão sozinha, mas quando fiz isso, cheguei à conclusão de que ela me irrita, me deprime, me cansa. E eu fujo disso, covardia mesmo. Eu não sou boa pra ajudar nesses casos, por que sou muito pouco paciente. E esse é apenas um dos meus defeitos...

Eleanor Rigby

Eu sempre achei, romanticamente, que todo mundo devia ter alguma coisa especial. E me perguntava se existia alguém que fosse totalmente especial, ou totalmente desperezível, sem qulidade nenhuma. Well, acho que a segunda pergunta eu respondi...
Ela é chata, inoportuna, burra, desinteressante,
feia, tem um cabelo medonho e espigado, com um sotaque horrível, mal humorada, apegada a seu caminho de todo dia, nem um passo fora. Não sabe conversar, sempre tá reclamando de tudo, não se sabe de um assunto que a interesse, tipo fotografia, moda, arte, futebol, cinema, comida, qualquer dessas futilidades que fazem a vida mais gostosa (e que todo mundo escolhe alguma ou várias pra se entreter). Não que ela seja tímida, não é. Mas ela é amarga, mal humorada, sem graça. Vem falar com você e você sente aquele desconforto... Tem um filho pentelho de cinco anos, um moleque mal educado, chato, daqueles que fica te puxando o braço pra fazer o que ele quer, gritando, e que vc não vê ela repreender quando faz isso. Ela é sozinha, não se sabe quem foi o mártir que ajudou a colocar o menino no mundo. Unanimidade: ninguém discorda de tudo o que eu acabei de dizer. Me pergunto se haverá algo nela que faça com que as pessoas não tenham vontade de dizer tchau. Maldade minha? Não, my friend... Maldade foi a dela de me convidar pra almoçar na casa dela domingo. Só eu e o Léo, Fer vai estar viajando.


Things that make me suffer

Sil dice:
desisto
Sil dice:
o que me mata é que depois esse desisto vai ser jogado na minha cara, eu sei...
25/10/2005
Dois anos. Que não foram.

Friday, October 21, 2005

Nao adianta, o blogger às vezes desafia a minha pouca inteligência, nao consigo voltar a fonte pro default. Fds.


A fal disse que podia pegar, e eu não resisto:

1 que roupa está usando hoje?

Uma roupa velha, que eu detesto, calça jeans de cintura baixa, blusa romantiquinha que tem a idade do meu filho e chinelo havaianas azul.Roupa pra ficar em casa. Tudo muito confortável, porém.

2 vá a janela e descreva quem está passando lá embaixo. Carros também.

Ah, desculpa, vou não. Daqui eu sinto que está passando um ônibus, daqueles velhos, barulhentos e que fazem a minha casa tremer.

3 O que marido disse assim que acordou?
Algo como "O Léo tem que parar de vir pra nossa cama às cinco da manhã."

4 O que comeu no café da manhã?

Hmmm, foi leite com chocolate "enrolado" (batido no mixer, léo chama assim) e pão com algo, não lembro o que era..

5 Tem alguma conta a pagar hoje? Qual?

Não.

6 Como está seu humor hoje?

Bom, tá fazendo sol, e isso me deixa muito feliz.

7 Quem foi a primeira pessoa que ligou o fone pra você?

Ninguém me ligou ainda hoje.

8 Pretende dormir a que horas?

Lá pelas nove e meia.

9 Passou batom hoje?

Não.

10 De qual dos seus amigos vc gosta mais?

Marceli forever...

Friday, October 14, 2005

Há oito anos atrás eu disse: Vamos tentar de novo pra ver se a gente dá certo? E deu. E não troco meu Fer por nada.

Conversando com minha consciência

Silvia, larga de ser chata!!! Por que a pessoa não pode escutar exclusivamente música evangélica no carro dela? É um direito dela. Era só você não pegar carona com ela e pronto. Pôr o filho numa escola evangélica, é um direito dela. agora que lançaram uma marca de produtos evangélicos, com certeza ela vai preferir esses produtos, mas e tu com isso? Ah, não me venha com que isso é limitar o próprio mundo, cada qual faz o que quer com seu mundo, certo? Você pega o seu e faz o que quiser com ele, e deixa o dela pra ela encher de formiguinhas religiosas. Definitivamente, não é da sua conta. Eu sei que você sabe. É que quando vc lembra revolta o estômago? Aaaai, o meu também. Sim, palhaça, sei que o seu estômago é o meu também. Sim, a bíblia em cima do microondas do laboratório tava no lugar errado, assim como a frase "Deus criou as fermentações..." numa disciplina de mestrado. Fora de lugar. Mas são as únicas coisas que te diziam respeito, o resto, não era da sua conta. Tá, a pregação durante a aula também era foda. Tá, todo o comportamento não condizente com a pregação era revoltante. Mas pensa que acabou. (Graças a Deus, grito eu daqui de dentro...) E te ensinou algo, não ensinou? Não lembra bem o que foi que tudo te ensinou? Sim, ensinou a não ser hipócrita como ela, por exemplo. Querida, isso vale mais do que passar com A na defesa de tese, podes crer.

Thursday, October 13, 2005

Acontece...

Acho muito duro quando você adora tanto alguém e de repente... ele entra na adolescência. É foda, mas faz parte da vida, há que se entender...

Leozoca foodstuffs

Antes ele vendia sorvete. E tinha, além de sabores mais convencionais, sorvete de maionese e de batata. Mas agora ele enveredou pelo fantástico mundo dos chás. Nenhum dos meus chás preferidos, nenhum Twinnings, que o menino é mesmo exótico: tinha chá de chocolate, de panqueca, de arroz, de peixe, de carne. E também de água, de abacaxi e de uva, pros paladares menos ousados.

Wednesday, October 12, 2005

Eu adoro a TPM

O Badulaque desse mês tá ótimo: Por que adoramos homens que não dirigem. Eu tenho minhas razões, mas as delas são muito boas. Sobretudo essas:

1. Porque eles não precisam provar que são machos acelerando um carro.

5. Porque homens que não dirigem são menos óbvios.

6. Porque eles não se metem no modelo de carro que você decide comprar [“Nossa, não acredito que você vai comprar esse carro ridículo que não anda”].

7. Porque eles não conversam com outros homens sobre coisas chatas como: direção hidráulica, potência e cavalos de motor e o “quanto o carro bebe”.

8. Porque achamos que eles gastaram o tempo em que estariam aprendendo a dirigir fazendo coisas mais importantes, como ler em alemão ou aprender a tocar um instrumento.

9. Porque eles são obrigados a andar em carros dirigidos por mulheres. E nem podem falar que elas guiam mal.

10. Porque somos do contra. Achamos que carro não é coisa de homem e cozinha não é coisa de mulher.


Por que eu sou do contra também e gosto de dirigir (marido tá aqui dizendo: jura mesmo que vc gosta de dirigir? Ele odeia; dirige, mas odeia), e odeio homem tirando sarro ou dando pitaco enquanto eu tô dirigindo!!! E tenho horrô, horrô, de homem que só fala de carro. Pra mim não existe assunto mais desinteressante que esse.
Agora mais do contra ainda é mulher que não gosta de dirigir. Taí, tem que ser muito mulher pra assumir isso nesse tempos feministas.
Que nem aqui a gente fala portunhol nível 2, existe um nível 2 do feminismo, um feminismo com conhecimento de causa. Isso é, assumir quando vc gosta sim de fazer coisas que são mulherzinha, ou que não gosta de fazer coisas que uma mulér liberada deveria gostar. Né fácil não, tiro o chapéu.

Já ia me explicar de novo, mas chega que os últimos posts estão dando voltas e voltas no mesmo assunto, só muda o contexto. Enough.

Tuesday, October 11, 2005

Olha o que eu li lá no Uh!Baby:

Lú, aquele orkut é um INFÉRNO aberto, fia!
Por isso que eu disse: "Vou cuidar da minha saúde, porque da minha vida já tem muita gente cuidando!"
Lá vc encontra gente boníssima, gente de muuitos anos atrás, gente que vc nem se lembrava mais.
Mããããssss infelizmente, as "gentes" de cu que vc largou pelo meio do caminho igual botina véia, te acham também, em apenas alguns cliques.

Por isso que eu saí.

Monday, October 10, 2005

Na base de dados que eu estou ajudando a passar pro computador tem os nomes de cidades mais engraçados do mundo. Só pra dizer que Tangamandápio existe de verdade, acho que em Michoacán, mas agora não tenho certeza. E que em Português o Chaves é até menos desgraçado que em espanhol: "El Chavo" quer dizer "o garoto". Em espanhol ele sequer tem um nome.

Friday, October 07, 2005

Chega de bolotas

Templatinho novo, só pra refrescar... Bonitinho, né?

Conversando com o marido no messenger

Sil dice:
acabou de vir aqui a moça do conteo do Inegi (um censo que tá tendo aqui)
Vaz-de-Mello dice:
e aih?
Sil dice:
td bem
Sil dice:
perguntou quem era o chefe de afamília
Sil dice:
:-S
Sil dice:
pus vc
Vaz-de-Mello dice:
pq?
Vaz-de-Mello dice:
vc falou "como assim, q q eh chefe da familia?
Sil dice:
eu disse que nao gostava desse termo...
Vaz-de-Mello dice:
e disse q quem manda na casa eh vc?
Sil dice:
hauhauhauhauha!!!!
Vaz-de-Mello dice:
ah, vc perdeu a oportunidade...
Sil dice:
hahahahah
Sil dice:
é mesmo! que palerma!!!
Sil dice:
vou correr atrás da moça, aproveitar que ela escreveu tudo a lápis!!!
Vaz-de-Mello dice:
ahhhh...
Vaz-de-Mello dice:
era divertido...

Thursday, October 06, 2005

Mas tinha que ser a Gazeta...

Tuesday, October 04, 2005

Só mais um post que eu notei que to ficando confusa: esse negócio do desarmamento. Fiquei indecisa por um tempo, mas agora eu notei que tá não sei qual é a pergunta. No blog dos outros, eu não sei se a pessoa é a favor ou contra, sei lá...
Então:
Silvia, é pra desarmar? Sim.
Pode ter arma em casa? Não.
Ter arma em casa é crime? Sim.
Podemos tirar a licensa de quem tem arma? Deve.

E cabô.
Prometo que depois do Stan eu conserto essa fonte e mudo o template, viu?
Uma coisa, me ligam da escolinha pra dizer que por conta do furacão a Secretaria de Educação mandou todo mundo ficar em casa. Chego aqui, mandaram o marido embora do instituto também, volta só na quinta. A gente olhou o furacão no mapa, tamos bem enfiados na nuvenzona. Ai, isso é tensao demais pros meus nervos de brasileira... Meda!!! Enquanto isso, fico sem internet também, por que o Emily queimou meu modem e dessa vez não quero arriscar. Tem gente que já tá com bóia no quarto, hahahaha!!! Se eu sobreviver eu conto como foi, torçam pela gente!

Mitologia ocidental: acreditar em Deus, endeuzar alguém ou as duas coisas juntas

Faz tempo eu queria falar sobre a necessidade que a gente tem de delegar o pensamento a outras pessoas. A gente precisa dos estilistas pra dizer o que a gente vai vestir, a gente acredita na ciência que sai no jornal, por que “os cientistas” falaram, os intelectuais acham tal coisa uma bosta e a gente acha também, por que eles falaram, a gente não entende de arte, isso é pra gente mais inteligente. Mas essa gente existe mesmo?
As pessoas falam de cada um desses grupos como se eles fossem um conselho que mora num Olimpo onde a gente nunca vai chegar. Parecem não mais que cinco pessoas, de uma inteligência muio superior à dos outros mortais, que ninguém nunca vê, mas sabe que existem. Parece uma das definições que eu já ouvi sobre Deus. No entanto, eu conheço um monte de cientistas, por exemplo. Reais: conheço dos bons, dos ruins, dos famosos, dos discretos. Até outro dia eu tava nesse time. Entre muitas outras coisas, saí por que cansei de ver cientistas que não se achavam cientistas, e que acreditavam que nunca iam ser que nem o cientista tal, um desses que devia morar no Olimpo. Uma vez escutei uma doutoranda (= uma cientista) dizer: “Às vezes acho que os cientistas, de tanto estudar, estão ficando loucos.” Ah, que preguiça! Os cientistas, os estilistas, os intelectuais, os artistas plásticos, eles são geeeenteeee!!! De carne e osso, iguaizinhos à gente. Não estão lá no Olimpo, não são seres superiores, erram mesmo, e muito. E tem um cérebro igualzinho ao meu e ao seu.
Aí é que eu queria chegar: se a gente tem um cérebro igualzinho ao dos estilistas, dos artistas, dos cientistas, dos intelectuais, por que a gente não pode questionar as coisas que vêm desses caras? Por que certos estudantes acham que nunca na vida vão ser melhores ou saber mais do que o orientador? Tem dó, se não for assim, a ciência estagna, ou regride. E por que que arte não é pra todo mundo entender, se os artistas fazem coisas pra agradar os olhos de alguém? Se não te agrada, não engula, tem artistas pra todos os gostos, ninguém tem que gostar das mesmas coisas. E por que não encarar um desfile de moda da mesma maneira que uma tese, ou uma exposição: a submissão de um trabalho ao público, pra ver o que é que o pessoal acha? E por que esperar a opinião de um intelectual pra decidir o que pensar sobre um assunto?
Não nego que é importante conhecer a opinião de quem entrou mais fundo num assunto, aliás, sempre é legal. Mas adotar uma opinião sem questionar só por que fulano sempre está certo, ou por que ele “entende”... Eu já me peguei fazendo isso, e me dei bem mal quando me perguntaram “mas por que vc acha isso?” Blé, por que eu sou uma otária que deleguei o pensamento a outra pessoa. E isso é pior quando a opinião de fulano chega até você altamente manipulada, como é o caso da ciência que chega até o público. O Bad Science tem sempre um caso novo dessas distorções (a crônica que está linkada em especial é muito boa), e isso me parece muito preocupante. Principalmente por que ciência é um campo onde deuses não podem existir. Mas existem. “Fulano disse isso, como você pode questionar?”, “Mas fulano faz assim desde a graduação dele, por que vai estar mal?” “É, eu sei que não faz muito sentido, mas todo mundo faz assim”, “Mas saiu na Nature! Como você pode não concordar?” Cansei de ouvir isso.

Deuses não erram, cientistas sim, intelectuais também, eu também, você. Por que somos todos humanos. Quanta gente era ontem o supra sumo e hoje, sob outra ótica, está totalmente errado? E quando mudar a ótica de hoje, que vai ser dos supra sumos ganhadores de Nobel? E quem vai mudar essa ótica? Um humano como eu e você, que não acredite em deuses e que não delegue o pensamento a outra cabeça.

Vai lá, aproveite que eu não sou “ninguém” e questione!!!

Sunday, October 02, 2005

Por ser de lá do sertão, lá do cerrado, lá do interior, do mato, da catinga, do roçado...
Eu sou assim, Penélope.